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Trigo recua em Chicago, mas mercado brasileiro segue sustentado pela escassez de oferta
02/JUN
Os contratos futuros do trigo encerraram esta terça-feira (2) em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados pelas boas condições das lavouras norte-americanas e pelo avanço da colheita em importantes regiões produtoras. Apesar do movimento externo negativo, o mercado brasileiro segue sustentado pela oferta restrita e pela postura cautelosa dos vendedores.
Os principais vencimentos fecharam com os seguintes valores:
Julho/26: US$ 6,03/bushel, com baixa de 56 pontos.
Setembro/26: US$ 6,16/bushel, com baixa de 50 pontos.
Dezembro/26: US$ 6,35/bushel, com baixa de 52 pontos.
O mercado internacional foi pressionado pelo cenário climático favorável nos Estados Unidos. Segundo informações acompanhadas por analistas internacionais, as recentes chuvas beneficiaram áreas produtoras das Planícies norte-americanas, reduzindo parte das preocupações com o desenvolvimento das lavouras de trigo de inverno.
No Brasil, porém, a dinâmica continua diferente. Levantamento divulgado pelo Cepea nesta terça-feira mostra que os preços do cereal avançaram ao longo de maio em função da baixa disponibilidade interna e da retração dos produtores nas negociações.
De acordo com pesquisadores do Cepea, muitos vendedores seguem aguardando preços mais elevados antes de ampliar a comercialização, movimento que reduziu a liquidez e manteve as cotações sustentadas no mercado físico.
Os números de maio mostram valorização em diversas regiões produtoras. No Paraná, o preço médio atingiu R$ 1.352,59 por tonelada, alta de 2,6% frente a abril. No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.299,65 por tonelada, avanço de 7,6% no período e o maior valor registrado desde agosto de 2025. Em São Paulo, a média alcançou R$ 1.467,25 por tonelada, com elevação de 5,2%, enquanto Santa Catarina registrou média de R$ 1.285,99 por tonelada, alta de 4,1%.
Além da oferta reduzida da safra passada, o mercado acompanha o desenvolvimento da nova temporada de inverno no Sul do país. O ritmo de comercialização permanece moderado, enquanto produtores avaliam custos de produção, condições climáticas e perspectivas para os preços nos próximos meses.
Com isso, mesmo diante das perdas observadas em Chicago nesta terça-feira, o mercado brasileiro continua encontrando suporte na escassez de produto disponível e na demanda ativa por trigo nacional, cenário que segue limitando movimentos de queda mais expressivos nos preços internos.